RECOMENDAÇÕES PARA UMA BOA MARCHA - 1

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RECOMENDAÇÕES PARA UMA BOA MARCHA - 1

Mensagem  José Monteiro em 2008-04-16, 10:44

VESTUÁRIO E CALÇADO

INTRODUÇÃO

Para caminhar é fundamental que o equipamento seja confortável. Em função de algumas variáveis (condições climatéricas, distância e duração dos percursos, etc), cada Caminheiro deve fazer-se acompanhar de equipamento adequado, de modo a minimizar o impacto fisíco da actividade (dores de costas, carga nos membros inferiores, bolhas nos pés, etc).
Iremos, neste módulo, abordar qual o tipo de vestuário e calçado mais adequados para a prática do Pedestrianismo. Por uma questão de facilidade de visualização e consulta, o mesmo será dividido em duas partes, sendo que a primeira focará o vestuário e a segunda as meias e calçado.


VESTUÁRIO

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Procuramos neste tipo de vestuário um compromisso dificilmente alcançável à alguns anos atrás: por um lado queremos protecção total para as piores condições climatéricas que esperamos vir a enfrentar, por outro queremos permanecer confortáveis independentemente dos vários tipos e intensidades de esforço desenvolvidos. Essa exigência implica que o sistema de vestuário adoptado tenha que ser:


Impermeável, mesmo em condições de extrema pluviosidade e humidade ambiente

Respirável, permitindo a passagem para o exterior da transpiração que, invariavelmente, produzimos numa situação de esforço;

Isolante, criando assim uma barreira térmica que nos defenda de temperaturas ambientes baixas;

Corta-vento, reduzindo as perdas de calor provocadas pelo vento.


PRÓS E CONTRAS DOS DIVERSOS TECIDOS



O SISTEMA DE CAMADAS

Este sistema permite conjugar diversas camadas de roupa, adaptando a protecção proporcionada às necessidades ditadas pelas condições climatéricas e pelo esforço dispendido. Usam-se geralmente três camadas:




. 1ª camada (interior ou base): está em contacto com a pele. A escolha do produto utilizado é determinante, dado que é este que condiciona o comportamento das outras camadas. É então essencial roupa interior leve, permitindo uma grande liberdade de movimentos, que conservará o calor do corpo, absorvendo e dissipando a transpiração. Deve secar rapidamente para evitar o arrefecimento após o esforço. A utilização do algodão fica assim impossibilitada, recorrendo-se a materiais sintéticos como o polipropileno, bem como a materiais naturais como a lã e a seda.




.2ª camada: esta camada deve igualmente assegurar o isolamento e a evaporação da humidade. Dois tipos de produtos podem responder a estes critérios:
- o forro polar, uma malha que sofreu uma operação de raspagem numa ou nas duas faces. Os materiais utilizados são o acrílico, a clorofibra, a lã ou o poliéster.
- o “pull-over”, um produto mais tradicional, sempre tricotado com pequena malha, “jersey” ou malha de seda. É sempre de peso superior ao polar, podendo ser de acrílico, clorofibra ou lã.
Nos últimos anos a escolha tem recaído sobre o polar, cuja estrutura (flexibilidade, leveza, toque, retenção de ar, …) engloba todas as características procuradas. Proporciona um máximo de calor e respirabilidade para um mínimo de peso.




.3ª camada: esta camada deve proteger das intempéries (vento, chuva, neve, …), deixando ao mesmo tempo passar as moléculas de água resultantes da transpiração. Evita desta forma o efeito de estufa. Deste conceito nasceram dois procedimentos:
- a membrana, um filme fino e frágil, colado a um suporte;
- a indução, uma pasta introduzida num tecido de que é indissociável.
Ambos são impermeáveis, mas enquanto uma membrana é sempre concebida para deixar passar o vapor de água a indução nem sempre o é. Somente as induções microporosas “respiram”.
Os acabamentos (costuras, dobras, …) são igualmente de examinar. Permitem preparar o tecido para a indução e formar uma barreira contra a água, o óleo e as nódoas.




FUNCIONAMENTO DAS MEMBRANAS E INDUÇÕES

São constituídas por milhares de microporos que as tornam impermeáveis, ao não permitir que as gotas de água, de maiores dimensões, as atravessem, enquanto que as moléculas de vapor de água, mais pequenas, permitem que a humidade saia facilmente. A estrutura microporosa quebra também a força do vento, impedindo-o de penetrar no interior da roupa.
É necessário estar muito atento a que a indução ou a membrana sejam soldadas às costuras, de modo a garantir uma impermeabilização perfeita.
Por outro lado, se quisermos aderir ao conceito das 3 camadas, convém respeitar a ordem das camadas na altura da comprar. Investir primeiro na camada exterior não irá funcionar de modo adequado nem corresponder às nossas necessidades.




Este trabalho constitui parte do Módulo "Logística e Técnicas de Campo", que leccionei já este ano, integrado numa acção de Formação de Animadores de Programas de Lazer e Natureza, que decorreu em Nisa.

José Monteiro

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