O TUA é de TODOS

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O TUA é de TODOS

Mensagem  JPimenta em 2011-12-21, 18:56

O TUA é de TODOS



Não é difícil exprimir o meu sentimento em relação a este evento, mas sim
A ideia era fazer um reconhecimento do traçado
da Linha do Tua para ter consciência do que está em causa com a construção da
barragem. Por outro lado, poder divulgar e informar todos aqueles que estão
interessados em fazer caminhadas ao longo do Vale do Tua, pois esta zona tem um
enorme potencial turístico.Os muros de pedras dividem as poucas hortas
que resistem ao tempo, trabalhadas por gentes distantes e genuínas. Estamos num
Outono profundo e todo o cuidado é pouco em caminhar, a passo certo, em cima
das travessas húmidas da linha. Pontapés nas pedras são mais que muitos, como
vamos carregados arrastamos os pés, sem sair daquela bitola curta. Agrada-me a
ideia de sermos doze exploradores, porque nenhum de nós conhecia o Vale.


A
cor predominante era o dourado das folhas, já em fim de estação, que
contrastava com os espelhos de água.Aqui e ali apanhava-se a azeitona e ao
longe ouvia-se o varejo que quebrava o silêncio. O
tempo estava a ajudar, não estava sol mas a claridade do cinzento do céu
fazia-nos ver a real cor da natureza em nosso redor. A
passagem das pontes metálicas descarregava-nos um pouco de adrenalina, e era
motivo para boas fotos tiradas àqueles que se agarravam com firmeza ao
corrimão.Esta aldeia fantasma, conhecida pelas termas de água sulfurosa, foi palco de cenas hilariantes. Um tanque na rua onde brotava água quente. Sem perder tempo, dois dos caminheiros fizeram-se ao banho. Também aqui se encontrava água potável que saia por um fio numa torneira. Já todos, à fogueira e num ambiente maravilhoso,uma mulher se sobressai e canta o fado, do meio do nada. O isolamento era total mas o ambiente estava ao rubro, chouriços e chouriças, alheiras e outros
enchidos, num fogo de concelho, acompanhados com pão e regados com um bom
vinho. Ali estavam 12 pessoas em comunhão, num estado de completa harmonia.
Já nas zonas das fragas e outras formações rochosas é de cortar a respiração, de uma beleza única. Aproveitávamos os túneis para descansar e comer qualquer
coisa. Só se ouve a água furiosa do Tua por entre as pedras, os espelhos de
água ficaram para trás. Em ralação ao pavimento a concentração era tal que
procurávamos o selo metálico mais velho possível, que marca a data da colocação
das travessas, 1955. Alem disso, cada um trouxe como um parafuso de 300 gramas, como recordação.
A sinalética é bem clara, perigo de explosão. É impossível passar. Mais à frente, já o talude da via férrea está cortado e cheio de derrocadas. Resta-nos sair da via e subir a encosta até ao Fiolhal, uma senhora subida. Uma paisagem marcada pela civilização, homens e as máquinas em simbiose. No Fiolhal fomos recebidos por alguns habitantes que nos indicaram o caminho entre muros e veredas até novamente à linha do Tua. Rapidamente chegámos à estação do Tua (17km/15.00h).
P.S
Agradeço em nome do CLAC
- Clube de Lazer, Aventura e Competição
a todos os amigos e companheiros que estiveram envolvidos e partilharam esta
aventura comigo. Manuel C., Cristina R., José B., Fernanda S., Paulo P.,Rui L.,
Fernanda A., Acácio C., Carlos M., Cláudia D. e António. Um envolvimento de esforço e ternura de um
grupo sem dúvida especial que deixa a marca nas nossas vidas. A vontade supera
a força…João Pimenta


dos percursos pedestres do CLAC.)

JPimenta

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